5 de outubro de 2007

Poemas

Entrei numa loja para te comprar um ramo de poemas, só tinham flores, disseram-me, mas eu não entendi a resposta, repeti que queria um ramo de poemas, voltaram a explicar-me que ali só vendiam flores, sugeriram-me vários tipos de flores, disseram-me os nomes, como sabes sou péssimo com os nomes das flores, apenas tenho memória para poemas, esforcei-me por fazer compreender esta minha particularidade, ninguém me entendia, à força de não me quererem vender poemas, impingiam-me flores, que cheiravam melhor, eram mais vivas, que as mulheres gostavam mais de flores, flores que eu não quero, definitivamente não quero, pois tenho-te a ti, ninguém dá flores às flores, o que eu quero mesmo é um ramo de poemas.



Henrique Fialho
do blog Insónia

1 comentário:

Ch disse...

Cara Ana;
.
Acabei de passar no Hálito, onde também encontrei um texto interessantíssimo do Henrique Fialho - parece-me poemas em prosa, à moda Baudelaire. Este daqui ficou perfeito, bem casado às imagens que, aqui, parecem saídas de belos contos de fadas.
Aliás, é essa atmosfera de delicadeza que nos deixa tão bem por aqui. Mérito todo seu!
Abraços do
Carlos