21 de dezembro de 2012

17 de dezembro de 2012

Capitão da areia

À noite,
Há fadas pelo céu,
Gigantes como eu,
Cuidado!
Há sombras na janela,
Peter Pan dança na estrela,
Não acordes na viagem.

Conta-me uma história
De tesouros e Luar,
És Capitão da Areia,
E Pirata de alto mar.

Agora,
As cortinas têm rostos,
São fantasmas bem dispostos,
Cuidado!
O Super-Homem está a caminho,
Traz o panda e o soldadinho,
Fecha os olhos e verás.

Conta-me uma história
De tesouros e Luar,
És Capitão da Areia,
E Pirata de alto mar.

Às vezes
Há dragões que têm medo,
E é esse o seu segredo,
Cuidado!
Vivem debaixo da cama,
Brincam com o Homem-Aranha,
Vais levá-los no teu sono.

Conta-me uma história
De tesouros e Luar,
És Capitão da Areia,
E Pirata de alto mar.
Conta-me uma história
Onde eu entre devagar,
És Capitão da Areia
Diz-me onde me vais levar.


Pedro Abrunhosa



12 de outubro de 2012

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu


poema retirado do blog A Coleccionadora de Cartas e sugerido pela amiga Marta Romero

17 de fevereiro de 2012

Tenho uma coisa para te entregar

Tenho uma coisa para te entregar,
uma pedra a pôr no chão da rua,
uma lunar presença sob o sol.

Tenho uma coisa para te devolver,
para ficar minha sendo tua,
aquecida no tempo e nestes olhos.

Tenho uma coisa que eu te posso dar
que é o vento a vir atrás do verde
e a dizer azul no teu cabelo.



















poema de Pedro Tamen
ilustração de Renée Nault

1 de fevereiro de 2012

5 anos...

[Rébecca Dautremer]
...tentarei estar um pouco mais activa durante o próximo ano!








O sonho

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

 -Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama