3 de julho de 2007

Raízes



Quem me dera ter raízes,
que me prendessem ao chão.
Que não me deixassem dar
um passo que fosse em vão.

Que me deixassem crescer
silencioso e erecto,
como um pinheiro de riga,
uma faia ou um abeto.

Quem me dera ter raízes,
raízes em vez de pés.
Como o lodão, o aloendro,
o ácer e o aloés.

Sentir a copa vergar,
quando passasse um tufão.
E ficar bem agarrado,
pelas raízes, ao chão.


poema de Jorge Sousa Braga
ilustração "Bermuda Gate to the African Tree" de Jill Merriam

1 comentário:

CH disse...

eis-me de volta ao vôo das borboletas...
para dizer também o quanto me apraz poemas assim, sensíveis, com nomes de árvores sendo dissertados tão singelamente...
abraço.
Ch