Avançar para o conteúdo principal

Barco de papel




Quando as tuas palavras
chamaram por mim,
fiz da tua carta
um barco de papel,
e naveguei devagar
entre as margens sem fim,
até à curva onde o meu rio
encontrou o teu mar.




Ana Isabel
(reviravolta ao poema de Mário Quintana)
pintura "Paperboat" de Han Wu Shen

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Rapariga descalça

Chove. Uma rapariga desce a rua. Os seus pés descalços são formosos. São formosos e leves: o corpo alto parte dali, e nunca se desprende. A chuva em Abril tem o sabor do sol: cada gota recente canta na folhagem, O dia é um jogo inocente de luzes, de crianças ou beijos, de fragatas. Uma gaivota passa nos meus olhos. E a rapariga - os seus formosos pés - canta, corre, voa, é brisa, ao ver o mar tão próximo e tão branco. poema de Eugénio de Andrade ilustração de Janice Fried

Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela? ou uma folha seca Que se desprendeu e não quis pousar? Mário Quintana

Tenho gatos de sobra

Do abraço faz-se concha, da saudade um aconchego; quem me dera ter um cão para afugentar o medo. Mas tenho gatos de sobra à minha volta a miar. São felinos pequeninos que me ensinam a saltar atrás dos fios do novelo que faço com o teu cabelo. poema de Luís Infante ilustração "Cat Pattern" de Patti Jennings