Andava um dia Em pequenino Nos arredores De Nazareth, Em companhia De San José, O bom-Jesus, O Deus-Menino. Eis senão quando Vê num silvado Andar piando Arrepiado E esvoaçando Um rouxinol, Que uma serpente De olhar de luz Resplandecente Como a do sol, E penetrante Como diamante, Tinha attrahido, Tinha encantado. Jesus, doído Do desgraçado Do passarinho, Sae do caminho, Corre apressado, Quebra o encanto, Foge a serpente, E de repente O pobrezinho, Salvo e contente, Rompe n'um canto Tão requebrado, Ou antes pranto Tão soluçado, Tão repassado De gratidão, De uma alegria, Uma expansão, Uma cadencia, Que commovia O coração! Jesus caminha No seu passeio, E a avesinha Continuando No seu gorgeio Em quanto o via; De vez em quando Lá lhe passava À dianteira E mal poisava, Não afrouxava Nem repetia, Que redobrava De melodia! Assim foi indo E foi seguindo De tal maneira, Que noite e dia N'uma palmeira, Que havia perto D'onde morava Nosso Senhor Em pequenino, (Era já certo) Ella lá esta...
Passa uma borboleta por diante de mim e pela primeira vez no Universo eu reparo que as borboletas não têm cor nem movimento, assim como as flores não têm perfume nem cor. A cor é que tem cor nas asas da borboleta, no movimento da borboleta o movimento é que se move, o perfume é que tem perfume no perfume da flor. A borboleta é apenas borboleta e a flor é apenas flor. Alberto Caeiro