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A mostrar mensagens com a etiqueta Janice Fried

História do Sr. Mar

Deixa contar... Era uma vez O senhor Mar Com uma onda... Com muita onda... E depois? E depois... Ondinha vai... Ondinha vem... Ondinha vai... Ondinha vem... E depois... A menina adormeceu Nos braços da sua Mãe... poema de Matilde Rosa Araújo ilustração de Janice Fried

Storyteller

Janice Fried

À entrada desta rua

À entrada desta rua e à saída desta terra prometeram-me uma rosa e eu não vou daqui sem ela. À entrada desta rua logo na casa primeira hei-de escolher uma rosa sem pôr a mão na roseira. À entrada desta rua nascem roseiras aos centos as brancas são saudades as vermelhas sentimentos. À entrada desta rua eu vou colher nove rosas três brancas, três amarelas, três vermelhinhas cheirosas. À entrada desta rua dez meninas vi correr no meio de tanta rosa algum cravo há-de haver. poesia popular portuguesa antologia organizada por Alice Vieira ilustração de Janice Fried

As minhas mãos

As minhas mãos mantêm as estrelas, Seguro a minha alma para que se não quebre A melodia que vai de flor em flor, Arranco o mar do mar e ponho-o em mim E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas. poema de Sophia de Mello Breyner Andresen ilustração de Janice Fried

Rapariga descalça

Chove. Uma rapariga desce a rua. Os seus pés descalços são formosos. São formosos e leves: o corpo alto parte dali, e nunca se desprende. A chuva em Abril tem o sabor do sol: cada gota recente canta na folhagem, O dia é um jogo inocente de luzes, de crianças ou beijos, de fragatas. Uma gaivota passa nos meus olhos. E a rapariga - os seus formosos pés - canta, corre, voa, é brisa, ao ver o mar tão próximo e tão branco. poema de Eugénio de Andrade ilustração de Janice Fried

Healing Circle

Janice Fried

Sê paciente

Sê paciente; espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que a mereça. poema de Eugénio de Andrade ilustração "Apple" de Janice Fried

Uma lágrima no mar

Uma lágrima caiu no mar e veio uma onda para a abraçar. Sal com sal torna mais amargo o grande areal. Quem quiser chorar, que o faça ao luar. Uma lágrima salgada é uma espécie de peixe que não chora nem nada. poema de Luís Infante ilustração de Janice Fried

A vida

Na água do rio que procura o mar; No mar sem fim; na luz que nos encanta; Na montanha que aos ares se levanta; No céu sem raias que deslumbra o olhar; No astro maior, na mais humilde planta; Na voz do vento, no clarão solar; No inseto vil, no tronco secular, — A vida universal palpita e canta! Vive até, no seu sono, a pedra bruta . . . Tudo vive! E, alta noite, na mudez De tudo, — essa harmonia que se escuta Correndo os ares, na amplidão perdida, Essa música doce, é a voz, talvez, Da alma de tudo, celebrando a Vida! poema de Olavo Bilac ilustração "Swingstar" de Janice Fried

O Búzio

Pus um búzio da praia na concha do meu ouvido. Logo ouvi o mar chamar muito longe, num gemido. Ó mar, Ó mar... Peguei num búzio das águas, pousado ali na areia. Ele guardava a canção secreta duma sereia. Ó mar, Ó mar... É só um búzio das ondas, todos o julgam vazio. Mas eu viajo lá dentro num sonho feito navio. Ó mar, Ó mar... poema de Luísa Ducla Soares ilustração de Janice Fried

Sete anos de pastor Jacob servia

Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, Que a ela só por prémio pretendia. Os dias na esperança de um só dia Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe deu Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Assim lhe era negada a sua pastora, Como se a não tivera merecida; Começou a servir outros sete anos, Dizendo: − Mais servira, senão fora Para tão longo amor tão curta a vida. soneto de Luís de Camões ilustração "Love" de Janice Fried
Janice Fried