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O vento

Por mais que tente, o vento não consegue adormecer se não tiver nada para ler. Seja uma folha de tília, de bambu ou buganvília. É por isso que o vento arrasta as folhas consigo, até encontrar um abrigo, onde possa adormecer. - arrastou até a folha, onde eu estava a escrever! poema de Jorge Sousa Braga ilustração "Branches on Turquoise" de Jill Merriam

Raízes

Quem me dera ter raízes, que me prendessem ao chão. Que não me deixassem dar um passo que fosse em vão. Que me deixassem crescer silencioso e erecto, como um pinheiro de riga, uma faia ou um abeto. Quem me dera ter raízes, raízes em vez de pés. Como o lodão, o aloendro, o ácer e o aloés. Sentir a copa vergar, quando passasse um tufão. E ficar bem agarrado, pelas raízes, ao chão. poema de Jorge Sousa Braga ilustração "Bermuda Gate to the African Tree" de Jill Merriam