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Mensagens

A mostrar mensagens de 2008

Cotovia

- Alô, cotovia! Aonde voaste, Por onde andaste, Que saudades me deixaste? - Andei onde deu o vento. Onde foi meu pensamento. Em sítios, que nunca viste, De um país que não existe . . . Voltei, te trouxe a alegria. - Muito contas, cotovia! E que outras terras distantes Visitaste? Dize ao triste. - Líbia ardente, Cítia fria, Europa, França, Bahia . . . - E esqueceste Pernambuco, Distraída? - Voei ao Recife, no Cais Pousei na Rua da Aurora. - Aurora da minha vida Que os anos não trazem mais! - Os anos não, nem os dias, Que isso cabe às cotovias. Meu bico é bem pequenino Para o bem que é deste mundo: Se enche com uma gota de água. Mas sei torcer o destino, Sei no espaço de um segundo Limpar o pesar mais fundo. Voei ao Recife, e dos longes Das distâncias, aonde alcança Só a asa da cotovia, - Do mais remoto e perempto Dos teus dias de criança Te trouxe a extinta esperança, Trouxe a perdida alegria. Manuel Bandeira Para o Carlos do Almofariz ...Bem-vindo!

Time out

Julie Blackmon

Powerade

Julie Blackmon

Havia um menino

Havia um menino, que tinha um chapéu para pôr na cabeça por causa do sol. Em vez de um gatinho tinha um caracol. Tinha o caracol dentro de um chapéu; fazia-lhe cócegas no alto da cabeça. Por isso ele andava depressa, depressa p’ra ver se chegava a casa e tirava do chapéu, saindo de lá e caindo o tal caracol. Mas era, afinal, impossível tal, nem fazia mal nem vê-lo, nem tê-lo: porque o caracol era do cabelo. Fernando Pessoa

Amarelo razoável...tipo Sol

A menina disse à mãe: - Mamã! Preciso de plasticina..de 3 cores. Azul claro, amarelo razoável...tipo Sol, e um encarnado...assim...bonito! No dia seguinte a mãe comprou uma caixinha de plasticina para a sua menina. Na caixinha havia várias cores, o azul claro, um encarnado...que a mãe achou bonito mas...nenhum amarelo razoável...tipo Sol!!! ...de uma conversa com a minha filha Sofia.

The Seven Wonderful Cats

Elizabeth Webbe

Tudo menos Tristeza

Há uma gata siamesa que se senta à minha mesa e me pede que lhe chame tudo menos Tristeza, porque no seu pêlo macio que lembra café e baunilha está desenhada uma ilha toda feita de alegria, onde os gatos são os reis das noites de fantasia. Luís Infante

Anjinho da guarda

Eu tenho um anjo Anjo da guarda Que me protege De noite e de dia Eu não o vejo Eu não o oiço Mas sinto sempre A sua companhia Eu tenho um guarda Que é um anjo Que me protege De noite e de dia Não usa arma Não usa a força Usa uma luz Com que ilumina A minha vida Ele não Não usa arma Ele não Não usa a força Usa uma luz Com que ilumina A minha vida Três Tristes Tigres cantam António Variações

Desejos soltos nas mãos

Desejos soltos nas mãos, entre os dedos, guardados, como pequenos duendes cheios de cores, felizes saltam nos meus cabelos e adormecem atrás das minhas orelhas, segredando-me em sonhos os dias do meu futuro. Desejos pequenos e belos, inúmeros, como estrelas doces que saboreio no céu da minha boca. Ana Isabel

Three wishes

Loretta Lux

Quando crescemos cabemos numa parte...

Quando algo é realmente grande cabe em cada parte O jardim cabe na flor, o sol no quartinho escuro A lua cabe no lago, e o azul cabe no teu peito Cada parte de nós cabe naquele único abraço E cada poesia cabe na emoção do leitor que a lê Há um universo inteiro voando numa gaivota Toda a energia, cabe num átomo, num pulsar Porque quando algo é realmente grande cabe sempre no começo, porque não tem fim... A gente parte, a gente parece que retorna, Mas há que se repartir muito para voltar inteiro Eu vejo a foto do menino que eras e bem sei... Foste pequeno, mas tua grandeza já cabia em ti. Carol Timm

Sopro de estrelas | 4

Colour play 2 Manuel Librodo

Paul Klee

Os olhos como barcos, entro escondida num quadro do Klee. O céu é a rua, e o equilibrista, quase sem respirar, me ensina os segredos da vida. Sobretudo, ele me diz, é preciso saber conservar as pernas no ar e manter o olhar perdido; Carregar pedaços de lua no pensamento e sonhar. A vida é pura navegação e saio do quadro como um pássaro invisível. poema de Roseana Murray pinturas Magic Garden, A Young Lady's Adventure, Fairy Tales, Landscape with Yellow Birds e Red Balloon, de Paul Klee

Fadas e Bruxas

Metade de mim é fada, a outra metade é bruxa. Uma escreve com sol, a outra escreve com a lua. Uma anda pelas ruas cantarolando baixinho, a outra caminha de noite dando de comer à sua sombra. Uma é séria, a outra sorri; uma voa, a outra é pesada. Uma sonha dormindo, a outra sonha acordada. poema de Roseana Murray ilustração de Rébecca Dautremer

Uma fada é um rumor

Uma fada é um rumor que sai da erva, rasteiro, e que transforma em calor o frio áspero de Janeiro. Quem foi que não encontrou uma fada num canteiro murmurando coisas belas a um velho jardineiro que largou rugas e mágoas e se transformou em cavaleiro? poema de Luís Infante ilustração "Fairy garden" de Heather Castles

História do Sr. Mar

Deixa contar... Era uma vez O senhor Mar Com uma onda... Com muita onda... E depois? E depois... Ondinha vai... Ondinha vem... Ondinha vai... Ondinha vem... E depois... A menina adormeceu Nos braços da sua Mãe... poema de Matilde Rosa Araújo ilustração de Janice Fried

Sopro de estrelas | 3

Karina Bertoncini

Timidez

O bicho-de-conta Faz de conta, faz Que é cabeça tonta Mas lá bem no fundo Não é mau rapaz. Se a gente lhe toca, Logo se disfarça: Veste-se de bola. Por mais que se faça Não se desenrola. Lá dentro escondendo Patinhas e rosto É todo um segredo: Se eu fosse menino Comigo brincava Sem medo sem medo. Maria Alberta Menéres

1 ano a esvoaçar!!!

...e fazemos hoje 1 ano! Esta celebração é partilhada com todos os que por aqui vão passando...e deixando as suas marcas. ilustração de Kathy Weller

Flying Umbrellas

Julie Blackmon

Contemplo o lago mudo

Contemplo o lago mudo Que uma brisa estremece. Não sei se penso em tudo Ou se tudo me esquece. O lago nada me diz, Não sinto a brisa mexê-lo Não sei se sou feliz Nem se desejo sê-lo. Trêmulos vincos risonhos Na água adormecida. Por que fiz eu dos sonhos A minha única vida? Fernando Pessoa

Front Porch

Julie Blackmon

Frutos

Pêssegos, peras, laranjas, morangos, cerejas, figos, maçãs, melão, melancia, ó música de meus sentidos, pura delícia da língua; deixai-me agora falar do fruto que me fascina, pelo sabor, pela cor, pelo aroma das sílabas: tangerina, tangerina. Eugénio de Andrade

Birds at Home

Julie Blackmon

Canção de Leonoreta

Borboleta, borboleta, flor do ar, onde vais, que me não levas, Onde vais tu, Leonoreta? Vou ao rio, e tenho pressa, não te ponhas no caminho. Vou ver o jacarandá, que já deve estar florido. Leonoreta, Leonoreta, que não me levas contigo… Eugénio de Andrade