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A mostrar mensagens com a etiqueta Rosa Lobato de Faria

Quem me quiser

Quem me quiser há-de saber as conchas a cantigas dos búzios e do mar. Quem me quiser há-de saber as ondas e a verde tentação de naufragar. Quem me quiser há-de saber as fontes, a laranjeira em flor, a cor do feno, à saudade lilás que há nos poentes, o cheiro de maçãs que há no inverno. Quem me quiser há-de saber a chuva que põe colares de pérolas nos ombros há-de saber os beijos e as uvas há-de saber as asas e os pombos. Quem me quiser há-de saber os medos que passam nos abismos infinitos a nudez clamorosa dos meus dedos o salmo penitente dos meus gritos. Quem me quiser há-de saber a espuma em que sou turbilhão, subitamente - Ou então não saber a coisa nenhuma e embalar-me ao peito, simplesmente. Rosa Lobato de Faria ilustração de Taia Morley

Quero dar-te

Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver bago de arroz grão de areia semente de linho suspiro de pássaro pedra de sal som de regato a coisa mais pequena do mundo a sombra do meu nome o peso do meu coração na tua pele. poema de Rosa Lobato de Faria ilustração "Bird" de Sarah Beetson

As pequenas palavras

De todas as palavras escolhi água, porque lágrima, chuva, porque mar porque saliva, bátega, nascente porque rio, porque sede, porque fonte. De todas as palavras escolhi dar. De todas as palavras escolhi flor porque terra, papoila, cor, semente porque rosa, recado, porque pele porque pétala, pólen, porque vento. De todas as palavras escolhi mel. De todas as palavras escolhi voz porque cantiga, riso, porque amor porque partilha, boca, porque nós porque segredo, água, mel e flor. E porque poesia e porque adeus de todas as palavras escolhi dor. Rosa Lobato de Faria