À entrada desta rua e à saída desta terra prometeram-me uma rosa e eu não vou daqui sem ela. À entrada desta rua logo na casa primeira hei-de escolher uma rosa sem pôr a mão na roseira. À entrada desta rua nascem roseiras aos centos as brancas são saudades as vermelhas sentimentos. À entrada desta rua eu vou colher nove rosas três brancas, três amarelas, três vermelhinhas cheirosas. À entrada desta rua dez meninas vi correr no meio de tanta rosa algum cravo há-de haver. poesia popular portuguesa antologia organizada por Alice Vieira ilustração de Janice Fried
Passa uma borboleta por diante de mim e pela primeira vez no Universo eu reparo que as borboletas não têm cor nem movimento, assim como as flores não têm perfume nem cor. A cor é que tem cor nas asas da borboleta, no movimento da borboleta o movimento é que se move, o perfume é que tem perfume no perfume da flor. A borboleta é apenas borboleta e a flor é apenas flor. Alberto Caeiro