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O Universo

O universo não é uma idéia minha. A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos, A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos A noite anoitece concretamente E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso. Poema de Albeto Caeiro Ilustração de Kathleen Kemly

Bird

Philippe Béha

Batem-me na face as asas daquele pássaro

Batem-me na face as asas daquele pássaro que agora mesmo levantou voo por detrás daquela onda. Batem-me na face azul do mar e salpicam-me os olhos de maresia, de marés salgadas invisíveis. As asas mornas e macias daquele pássaro, encostam-se a mim como um almofada cheia de espuma de ondas antigas. Levantou voo o pássaro saído das águas grandes, e como um anjo de asas enormes tocou-me a alma, encheu-a de vida. Ana Isabel

Sopro de estrelas | 1

Smile Manuel Librodo

Uovo

Nicoletta Ceccoli

Treegirl

Nicoletta Ceccoli

Crows

Nicoletta Ceccoli

Como pintar um pássaro

Pinte primeiro uma gaiola com a porta aberta. Em seguida pinte alguma coisa graciosa, alguma coisa simples, alguma coisa bonita, alguma coisa útil... ao pássaro. Depois, coloque a tela contra uma árvore no jardim, no bosque ou na floresta e esconda-se atrás da árvore sem dizer nada, sem se mexer. Às vezes o pássaro chega logo, mas pode levar muitos, muitos anos até se resolver. Não desanime, espere. Espere, se preciso, durante anos. A velocidade ou a lentidão da chegada do pássaro, não tem a menor relação com a qualidade da pintura. Quando ele chegar (se chegar) mantenha o mais profundo silêncio, espere que ele entre na gaiola. Depois que entrar, feche lentamente a porta com o pincel. Aí então apague uma por uma todas as varetas. (Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena do pássaro.) Finalmente pinte a árvore, reservando o mais belo de seus ramos ao pássaro. Pinte também a verde folhagem e a doçura do vento, a poeira do sol, o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da estação. Depoi...

Storyteller

Janice Fried

Poemas

Entrei numa loja para te comprar um ramo de poemas, só tinham flores, disseram-me, mas eu não entendi a resposta, repeti que queria um ramo de poemas, voltaram a explicar-me que ali só vendiam flores, sugeriram-me vários tipos de flores, disseram-me os nomes, como sabes sou péssimo com os nomes das flores, apenas tenho memória para poemas, esforcei-me por fazer compreender esta minha particularidade, ninguém me entendia, à força de não me quererem vender poemas, impingiam-me flores, que cheiravam melhor, eram mais vivas, que as mulheres gostavam mais de flores, flores que eu não quero, definitivamente não quero, pois tenho-te a ti, ninguém dá flores às flores, o que eu quero mesmo é um ramo de poemas. Henrique Fialho do blog Insónia

O meu caderno de folhas

Tenho folhas lanceoladas, lobadas, lineares, redondas, sagitadas, elípticas, ovalares, pilosas ou ciliadas, filiformes, triangulares, inteiriças, espatuladas, em forma de coração. E folhas A4 e A5, lisas ou quadriculadas. Mas estas não são para aqui chamadas. - Ou serão? poema de Jorge Sousa Braga ilustração "Reading again" de Irisz Agocs

A alfazema

- Fecha os olhos bem fechados, e diz-me a que é que cheira. Cheira a rosa, cheira a nardo, ou a flor de laranjeira? - Nem a rosa, nem a nardo, nem a cravos, nem a cravinas me cheira este poema. O que me chega às narinas é o cheiro da alfazema! Jorge Sousa Braga

Dia Mundial da Música

Camptown Races Julie Blackmon

Romeu e Julieta

Octavia Monaco

Como se de repente ao coração do Sol

Como se de repente ao coração do Sol as raízes da luz alguém as arrancasse... Como se de repente as hélices do vento arranhassem o ar, e o mar estivesse perto... Como se de repente o Mundo entontecesse... Foi tudo de repente e tudo ao mesmo tempo: escuridão, rumor, frescura, movimento. Mas de entre as espirais confusas quem sabia se era de novo amor, se era só melodia? David Mourão-Ferreira

the wanderer

Loretta Lux